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quarta-feira, 7 de janeiro de 2015

Embalagens de Aerossol podem ser recicladas, mas devem ter descarte cuidadoso

O manuseio de embalagens de aerossol deve ser feito com cautela, pois elas possuem gás propelente inflamável e a inalação causa danos à saúde. Créditos: Priscila Pacheco

As embalagens de aerossol são bastante consumidas, seja para armazenar desodorante, odorizador de ambiente, tinta ou inseticida, mas o que muita gente não sabe é que para o produto sair em forma de jato é preciso ter um gás. Até a década de 1980 o gás utilizado era o clorofluorcarbono (CFC), substância que contribuía para a destruição da camada de ozônio. Após a adesão do Protocolo de Montreal, acordo ambiental adotado universalmente, o CFC precisou ser substituído e os aerossóis começaram a ser compostos pelo gás liquefeito de petróleo (GLP). Além disso, os fabricantes passaram a indicar na embalagem que o produto é inofensivo para a camada de ozônio. Mas a mudança não tirou as latas de aerossol da discussão ambiental, pois era preciso dar atenção ao descarte correto das embalagens e a participação delas na logística reversa. Mas será que grande parte da população sabe qual o descarte correto e o que é logística reversa?

A logística reversa, indicada na Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS), prevê que produtos que contenham elementos perigosos sejam recolhidos pelos fabricantes para reaproveitamento ou destinação final adequada ao meio ambiente. No caso dos aerossóis a logística reversa é necessária por causa da presença de gás propelente inflamável no interior da embalagem. Estes compartimentos também devem ser mantidos longe de fogo e superfícies aquecidas, não podem ser perfurados mesmo vazios nem reutilizados antes de um processo de descontaminação. Quando chegam a uma cooperativa de lixo reciclável, devem ser mantidos intactos e entregues para uma empresa que retirará o gás por meio de um maquinário sem contato humano e, por fim, passados para o responsável pela reciclagem. Segundo Ana Maria Luz, presidente do Instituto GEA, ONG que atua na área de educação ambiental, “um grande perigo dos aerossóis está nas cooperativas, porque o funcionário ao desmontar a embalagem inala frequentemente os resquícios do produto. Além disso, permanece em um lugar fechado com tudo que é inflamável”.

O Instituto GEA desenvolveu um projeto para a multinacional americana SC Johnson que decidiu colocar em prática o princípio da logística reversa. A ação permitirá que a empresa envie para a reciclagem a mesma quantidade de aerossóis que produz, para isso não é coletado somente material da marca da empresa, mas qualquer embalagem que seja de aerossol. O papel do Instituto é incluir as cooperativas no projeto e orientá-las a não desmontarem as latas. Quando a ação teve início em agosto de 2013 havia duas cooperativas envolvidas na cidade de São Paulo, em setembro de 2014, cidades como São Vicente, Praia Grande, Campinas e Guarulhos aderiram ao projeto e o número de cooperativas passou para 38. 

Além de conscientizar as cooperativas sobre o descarte correto, outro desafio é criar mais pontos de coleta para que os consumidores possam entregar as latas vazias, por exemplo, em supermercados, lojas de material de construção e condomínios. Atualmente, muito do que chega às cooperativas vem com o lixo reciclável da coleta seletiva, que ainda não foi implementada em todos os distritos de São Paulo. “Precisamos divulgar a ideia para que iniciativas corretas sejam valorizadas”, complementa Ana Maria Luz.

Gildete Francisca de Almeida Silva, diretora Financeira da Coopercaps, cooperativa localizada na zona Sul de São Paulo, conta que não tinha informações sobre os perigos dessas embalagens e ao recebê-las separava a parte metálica da plástica e vendia. “Quando alguns cooperados foram fazer um curso de separação de materiais descobrimos que era perigoso abrir os aerossóis, depois disso passamos a não quebrar as embalagens”, explica Silva. O processo correto também economiza tempo de trabalho dos cooperados e previne acidentes, pois além da dispersão de gás, a pressão no interior da embalagem é muito forte. Por fim, a ação gera mais benefícios financeiros para as cooperativas. “Entregar o material inteiro é mais vantajoso”, argumenta Silva.

quarta-feira, 30 de julho de 2014

Diminui aprovação pelos serviços oferecidos pelo SUS

O Sistema Único de Saúde brasileiro (SUS) completa 26 anos de existência e apresenta uma história de avanços e problemas. Ele contribuiu para a diminuição da mortalidade infantil e recebe elogios de usuários pela distribuição de medicamentos, mas a maioria desses usuários considera o serviço ruim ou péssimo. 

“Em 2002, 59% da população aprovava o SUS. Em junho de 2014, a porcentagem de aprovação passou para 19%”, diz André Medici, economista da saúde e do desenvolvimento social. Entre as reclamações são destacadas falta de equipamentos, a demora no atendimento em prontos-socorros, consultas e realização de exames. Além da ausência de médicos e outros profissionais da saúde. 

No mês de março de 2014, por exemplo, o Hospital Geral do Grajaú (HGG), localizado na periferia da capital paulista, ficou sem pediatra. O HGG é o único hospital de grande porte de uma das localidades mais populosas de São Paulo e atende até moradores de Parelheiros. 

A falta de médicos é um problema recorrente no país, mas além de pensar na busca por mais profissionais é preciso dar atenção à infraestrutura dos hospitais para que os pacientes tenham médicos e locais equipados para bons atendimentos. Outro fator importante é o investimento em tecnologia de informação. Segundo Medici, “facilitaria o serviço e o atendimento seria mais rápido”.

O SUS precisa conter a corrupção e atender as demandas trazidas pelo envelhecimento. Em relação a capital de São Paulo, os governantes do município e do estado precisam dialogar. “Quando os governantes estavam nas duas pontas eles não conversavam. Imagine então com PSDB e PT”, informa Gonzalo Vecino Neto, médico e ex-Secretário Municipal de Saúde de São Paulo. Vecino também diz, “as parcerias entre privado e público precisam ser transparentes”.

segunda-feira, 14 de julho de 2014

Brasil tem potencial para driblar crise de energia e ser sustentável

O empecilho vivido atualmente pelo setor elétrico brasileiro retoma as discussões que ganharam destaque em 2001, ano em que o país enfrentou uma grave crise no setor e ameaça de apagão. As questões giram em torno da escassez de água e de problemas em investimentos. E faz com que a sociedade reflita sobre a valorização de novas fontes de energia.

Segundo dados da Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL), as principais fontes de produção energética são as usinas hidrelétricas e as termelétricas, que somam 92,2% da capacidade instalada. Para ficar menos dependente dessas fontes, o Brasil pode aumentar os investimentos em energia eólica, solar fotovoltaica e florestas energéticas, produtoras de biomassa. 

Não há como realizar projetos energéticos sem causar algum dano ao meio ambiente. Mas para que não haja impactos extremamente nocivos, seja na produção de energia ou em qualquer outra atividade que interfira no meio ambiente, “é preciso usar uma ciência e tecnologia comprometidas com a prudência ecológica”, diz o economista e professor da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), Clóvis Cavalcanti.

Outro fator importante para um crescimento energético sustentável é a escolha do local apropriado para cada produtor de energia elétrica. Por exemplo, na região do Pantanal “as torres eólicas devem ser evitadas pelo impacto óbvio sobre a avifauna”, diz o consultor na área de energia e fontes renováveis, Roberto Kishinami. 

Um caso em destaque no Centro-Oeste do Brasil que ilustra a importância de analisar os locais em que cada fonte cause menos impacto ambiental é a construção de diversas pequenas centrais hidrelétricas (PCHs) na bacia hidrológica do Alto Paraguai, que podem interferir no Pantanal. Alguns pesquisadores acreditam que o conjunto de PCHs são ameaçadoras para o Pantanal. As perdas “vão desde a ruptura de teias alimentares ao provimento de atividades econômicas, como a pesca, lazer e ecoturismo”, informa o biólogo e professor da Universidade Anhanguera – Uniderp, José Sabino.

O Brasil tem potencial para obter um crescimento sustentável no setor elétrico, mas é preciso dar atenção a um planejamento atualizado que esteja de acordo com as diversas fontes renováveis que o país tem capacidade de usufruir. 

Além disso, o país não pode extinguir nenhuma das principais fontes já utilizadas, o que pode acontecer é a diminuição da dependência delas. Um exemplo é a permanência do uso de termelétricas, que “continuarão sendo necessárias, para a segurança energética do sistema, uma vez que todas as fontes de menor impacto apresentam sazonalidades anuais, semanais e diárias”, explica Kishinami.


*A pauta original foi produzida para o concurso da Semana Estado de Jornalismo Ambiental, mas como não venceu foi adaptada para ser apresentada neste blog.

segunda-feira, 7 de julho de 2014

O cinema provocador de Sergei Eisenstein

“O Encouraçado Potemkin”, 1925
Assisti ao filme “O Encouraçado Potemkin” há alguns anos, mas como uma cinéfila iniciante talvez não possa fazer uma grande crítica sobre a obra. Nem sei se ela seria aceita devido ao meu pouco tempo de estrada. Todavia, digo que a produção soviética de 1925 é um marco cinematográfico como muitos afirmam. E também concordo quando dizem que a cena da escadaria de Odessa é uma das mais famosas da história do cinema e dona de um suspense incrível. O que aconteceu com o bebê que estava no carrinho?

Para quem não sabe sobre o que estou falando, “O Encouraçado Potemkin” é uma obra-prima do diretor russo Sergei Eisenstein, homem que iniciou a carreira no teatro, defendia a Revolução Russa e acreditava que o cinema era uma arma política. A história do filme é real e se passa no ano de 1905, quando marinheiros do navio Potemkin se revoltam por serem submetidos a péssimas condições de trabalho. Condições tão ruins que houve um momento em que os trabalhadores receberam carne podre para comer. O episódio aumentou a insatisfação e deu forças para o motim. 

A população de Odessa apoiou a revolta, mas o regime czarista destruiu tudo com uma extrema violência. Tal atitude nos faz lembrar alguma coisa? A repressão violenta por parte das autoridades permanece viva em diferentes regiões e épocas. Além disso, as péssimas condições de trabalho continuam assombrando trabalhadores de muitas áreas. Mas deixemos essa discussão para outro momento. Agora eu recomendo que você assista ao “O Encouraçado Potemkin”.

quinta-feira, 3 de julho de 2014

Surto de Ebola na África Ocidental preocupa autoridades de saúde

Profissionais da saúde devem se proteger para cuidar dos afetados pelo vírus da Ebola
Em 1976, o vírus da doença Ebola apareceu pela primeira vez e atingiu as populações do Sudão e da República Democrática do Congo. Segundo os Médicos Sem Fronteiras (MSF), “Ebola é uma das doenças mais mortais que existem. É um vírus altamente infeccioso que pode matar mais de 90% das pessoas que o contraem”. 

Desde o início de 2014 o vírus causa um surto na África Ocidental, 750 casos e 455 mortes já foram registrados. A Organização Mundial da Saúde (OMS) fez uma reunião no início desse mês de julho para discutir o problema e pediu para que as autoridades dos países africanos afetados pela doença reunissem todos os esforços necessários para conter a epidemia. Os países atingidos são Guiné, Serra Leoa e Libéria, mas outras regiões estão sob risco.

O Ebola pode ser contraído pelo contato com sangue e secreções contaminados tanto de humanos quanto de animais, como o macaco. O vírus é tão letal que os profissionais da saúde devem tomar o máximo de cuidado possível ao ter contato com os infectados. 

domingo, 22 de junho de 2014

Protagonista do sequestro do ônibus 174. Quem lembra?

Sequestro do ônibus 174, no dia 12 de junho de 2000
Ônibus 174 é um documentário impactante não apenas por mostrar o sequestro de um ônibus na zona sul do Rio de Janeiro, mas por instigar a reflexão sobre certas questões existentes na sociedade. Questões que giram em torno do protagonista da história. O sequestrador Sandro Barbosa do Nascimento.

No dia 12 de junho de 2000, Sandro passou horas dentro de um ônibus da linha 174 com alguns passageiros que foram pegos como reféns. Todo o sequestro foi transmitido ao vivo pela televisão e terminou em tragédia. Uma das reféns, a jovem professora Geisa, foi morta devido a um erro da polícia. Já Sandro morreu asfixiado dentro da viatura.

O sequestrador também tinha poucos anos de vida. Pouca idade, mas uma longa história. Viu a mãe ser morta na favela em que viviam, tinha uma tia e uma avó, mas passou a morar na rua. Sobreviveu à chacina da Candelária e era viciado em drogas. 

Sandro é o exemplo da desestruturação familiar e da desigualdade social. O documentário de José Padilha começa mostrando imagens áreas do Rio de Janeiro. Por alguns minutos é possível viajar da favela até a parte rica da cidade. No decorrer da produção as entrevistas conduzem para a questão da falta de estrutura na base familiar. Dessa forma, temos construído um personagem que representa diversos brasileiros. 

Padilha joga a transformação do protagonista em nossas mãos. Permite que interpretemos a história de uma forma mais humana. A intenção não é justificar o sequestro ou qualquer outro ato ilícito, mas mostrar que essas pessoas não nascem com o desejo fazer coisas consideradas erradas. Muitas vezes elas são conduzidas ao mundo do crime e das drogas pelas condições de vida. Condições que para mim não são responsabilidades somente das autoridades. Afinal, há o quesito familiar que não pode ser ignorado. 

A estrutura fortalecida, a educação, o cuidado, o carinho e o amor contribuem muito para a formação de um ser humano. E pelo que podemos ver no documentário, Sandro não teve nada disso. Ao somar essas ausências com o abandono das autoridades e a violência das ruas temos alguém que representa perigo. Alguém que pensa: “não tenho nada a perder mesmo”.


segunda-feira, 21 de abril de 2014

São Paulo permanece com a maior população carcerária do país

O Estado de São Paulo possui 40% da população carcerária do país e presídios superlotados. Até o início de 2014, São Paulo apresentava nove de cada dez unidades prisionais com mais detentos do que a capacidade.  Atualmente, há 206.954 presos para 123.448 vagas.

Esta situação mostra o colapso do sistema penitenciário e segurança pública do país. Ela contribui para o fortalecimento de organizações criminosas, violência dentro das unidades e falta de assistência médica.

quinta-feira, 6 de março de 2014

Os direitos perdidos na violência obstétrica

Foto reprodução - Enfermeira faz manobra de Kristeller em parturiente
De acordo com a Lei nº 11.108, de abril de 2005, os serviços de saúde são obrigados a permitir que a mulher tenha um acompanhante durante todo o período de trabalho de parto, parto e pós-parto imediato. No entanto, há casos em que a gestante necessita de autorização do médico ou maternidade para alguém acompanhá-la. A lei é deixada de lado e a mulher corre o risco de ficar sem uma companhia de sua escolha.

Impedir a presença do acompanhante é um tipo de violência obstétrica. O termo pode ser desconhecido por algumas pessoas, mas não é algo difícil de acontecer na sociedade brasileira. Muitos outros atos violam os direitos da gestante, por exemplo, circular de hospital em hospital para conseguir um leito, receber soro com ocitocina para acelerar o parto somente por desejo médico, ter as pernas amarradas durante o parto, manobra de Kristeller, cesariana sem necessidade ou desconhecimento da mãe, episiotomia (corte vaginal), exames de toque dolorosos ou realizados por muitas pessoas e ofensas verbais.

A violência também pode acontecer durante o pré-natal e no atendimento em situações de abortamento. E atinge pacientes do sistema público e privado. Segundo a Defensoria Pública do Estado de São Paulo, a violência obstétrica “caracteriza-se pela apropriação do corpo e processos reprodutivos das mulheres pelos profissionais de saúde, através do tratamento desumanizado, abuso da medicalização e patologização dos processos naturais, causando a perda da autonomia e capacidade de decidir livremente sobre seus corpos e sexualidade, impactando negativamente na qualidade de vida das mulheres”.

A vítima tem o direito de denunciar a violação sofrida. Procurar a Defensoria Pública, ligar para o 180 (violência contra a mulher) ou 136 (Disque Saúde). Exigir a cópia do prontuário no hospital em que foi atendida é outro direito que deve ser exigido. A única cobrança que a instituição pode fazer é referente aos custos das cópias.

A denúncia é muito importante na luta pelo fim da violência obstétrica. É necessário ter coragem e falar o que sofreu. Exigir que a justiça tome providências para que os atos desumanos não persistam.

A Agência Pública fez uma reportagem muito relevante sobre o tema. Na hora de fazer não gritou apresenta um material completo para compreender a situação.

A discussão do JC Debates, TV Cultura, também traz muitos esclarecimentos.



segunda-feira, 17 de fevereiro de 2014

Periferia e consumo de informação

O texto “Tudo nosso, nada nosso“, publicado no site da revista Carta Capital e escrito pelo romancista, contista e poeta Ferréz, dá destaque para a inclusão social. “Aposte no caos se não houver inclusão”, diz Ferréz. O autor ainda ressalta: “A periferia há muitos anos está defasada de algo que atraia o jovem. Não temos meio nenhum de entretenimento para alguém que hoje completa 14 anos.”

Leia o artigo completo no Observatório da Imprensa.

quarta-feira, 22 de janeiro de 2014

‘Rolezinhos’ colocam periferia na pauta

Não sou uma grande frequentadora de shoppings, não desejo consumir marcas famosas e muito menos tenho interesse em participar de “rolezinhos” para me divertir e conhecer gente nova. Todavia, o meu desinteresse em participar do polêmico evento não impede que eu esteja atenta aos comentários e notícias dos últimos dias, principalmente nas redes sociais. 

Confira o meu artigo completo no Observatório da Imprensa.

domingo, 12 de janeiro de 2014

Brincadeira incentiva que obras artísticas sejam postadas no Facebook


Estava olhando o feed de notícias do meu Facebook quando encontrei uma brincadeira interessante. Tratava-se de curtir o post para receber o nome de um (a) artista, e publicar a foto de um trabalho dele (a).

Texto presente na brincadeira

“A ideia é ocupar o Facebook com arte! Quebrar a monotomia de ficar olhando fotos sobre o que as pessoas almoçaram ou fotos na academia com frases de incentivo. Aqui vai algo um pouco diferente.
Quem curte o post recebe o nome de um/uma artista e terá, então, que publicar a foto de um trabalho dele/dela em seu mural e assim por diante.”
Recebi ...

Eu logo curti e recebi o nome Eduardo Chillida. Gosto muito de arte, mas confesso que não conhecia Eduardo Chillida.

Não o encontrei no meu livro de história da arte nem em sites brasileiros. No Google, nas primeiras páginas, aparecem informações em sites de língua inglesa e espanhola, a única opção em português é uma página do Wikipédia de Portugal.

Eduardo Chillida nasceu no dia 10 de janeiro de 1924, em San Sebastián, no país Basco (Espanha). Começou a estudar arquitetura na Universidade de Madri. Não concluiu o curso, mas arquitetura tem grande presença na arte desenvolvida. Dedicou-se a fazer esculturas, começou usando gesso, depois ferro e por fim aço e madeira. Morreu no dia 19 de agosto de 2002, em San Sebastián.

As imagens abaixo foram retiradas do site www.guggenheim.org/new-york

From Within , 1953


Three Irons, 1966

How profound is the Air, 1996 


Advice to Space V,  1993


segunda-feira, 6 de janeiro de 2014

Verde em meio ao cinza


Precisávamos de uma pauta para escrever uma reportagem que seria publicada na revista laboratório da sala. Era uma revista temática sobre Amor e nossa pauta não deveria fugir disso. Depois de muitas pesquisas chegamos às hortas urbanas e comunitárias. Decidimos pelas hortas, pois elas envolvem trabalho voluntário e o estímulo pelas boas relações humanas. Logo, estávamos dentro do tema Amor. Além disso, um dos significados da palavra Amor é benevolência, que tem muito a ver com a história das hortas.

Começamos a pesquisar melhor sobre as tais hortas e por fim partimos para a conversa com os envolvidos neste tipo de projeto e para as visitas. Fizemos boas descobertas, escrevemos e fotografamos. Eu, particularmente, gostei muito de conhecer tudo isso. Confira na página 16 do link a seguir, a reportagem completa que eu e a Mariana Nascimento produzimos. 



quinta-feira, 2 de janeiro de 2014

Malala, a garota popular que defende o direito à educação

Malala foi baleada pelo Talibã e ficou entre a vida e a morte, mas não desistiu de lutar pelo direito à educação.
“Eu sou Malala” conta a história de uma moça que tomou conta dos noticiários ao ser atacada pelo Talibã, no Vale do Swat, Paquistão. No decorrer das páginas escritas pela própria Malala em parceria com a jornalista Christina Lamb é explicita a dificuldade que a população enfrenta para ter acesso a educação, principalmente as mulheres. Outra questão abordada é a corrupção, que dificulta o progresso do povo paquistanês. 

No fim do livro são apresentados dados que dizem que no mundo existem 57 milhões de crianças fora da escola primária. Sendo que 32 milhões são meninas. Também é dito que quase 50 milhões de adultos são analfabetos, dois terços mulheres. O Paquistão ocupa um dos piores lugares no quesito educação. 
Malala discursou na sede das Nações Unidas, foi candidata ao Nobel da Paz 2013 e criou uma organização sem fins lucrativos de apoio à educação de meninas em comunidades ao redor do mundo. Tudo isso depois de quase morrer por causa dos tiros disparados por um membro do Talibã. Todavia, desde a infância Malala fora preparada para ser ativista e já aparecia na mídia com frequência. Será que Malala geraria a mesma repercussão se fosse menos conhecida?  

Enfim, não é preciso ir tão longe para encontrar grandes números de analfabetos. Uma pesquisa da UNESCO mostra que em 2010, 36 milhões de adultos com 15 anos ou mais se declararam analfabetos na América Latina, 20 milhões são mulheres.

domingo, 22 de setembro de 2013

Nas palavras da jornalista Eliane Brum toda vida é levada com o fio do extraordinário

   "Para Priscila, histórias reais para lembrar que toda vida é levada com o fio do extraordinário”, foi a
dedicatória que a jornalista Eliane Brum escreveu ao autografar o meu livro “A vida que ninguém vê”. Em minha opinião Eliane é uma das melhores jornalistas do Brasil e segue o caminho do magnífico Gay Talese. Ela veio de uma cidade do interior gaúcho e já ganhou mais de 40 prêmios de reportagem, mas os prêmios não interessam neste momento. O que importa é a sensibilidade transmitida em cada palavra escrita.

   Eliane escreve de uma maneira que somos conduzidos a adentrar o universo das personagens anônimas de suas histórias. Sentimos a magia no olhar do desajeitado Israel , a dor presente em “Enterro de pobre” e na saga vivida pelo “Menino do Alto”. Também vibramos pela vitória descrita em “Eva contra as almas deformadas”, uma mulher que não aceitou ser vítima e repudiou todo o preconceito que jogavam contra ela. “Eva é mulher, negra e pobre. Eva treme as mãos. Tudo isso até aceitam. O que não lhe perdoam é ter se recusado a ser coitada. O que não perdoam a Eva é, sendo mulher, negra, pobre e deficiente física, ter completado a universidade. E neste país. Todas as fichas eram contra ela e, ainda assim, Eva ousou vencer a aposta. Por isso a condenaram”. 

   As histórias das pessoas anônimas estimulam a minha reflexão e comprovam a tese de que jornalista não deve ficar atrás da tela do computador. Ele precisa se jogar na rua e gastar as solas dos sapatos. Observar, sentir, refletir e provocar um diálogo. Não há como fazer isso numa troca de e-mails. Não mesmo.  É pelo mundo que as grandes histórias serão encontradas. 

domingo, 15 de setembro de 2013

O desejo de morrer domina um grande número de pessoas

   Um status presente no Facebook sobre o suicídio fez com que eu lembrasse de um documentário que assisti. "Solitário anônimo" mostra a história de um idoso que decidiu morrer. Um intelectual que saiu de casa sem rumo, parou de comer e no auge da fraqueza foi levado ao hospital e "obrigado" a viver. O documentário traz uma reflexão sobre o direito de viver e morrer. Ele também coloca em questão o fato de o Estado ter a obrigação de cuidar dos cidadãos, logo, a liberdade de escolha da vida sofre interferência. 

  Em determinada parte do documentário o solitário diz não ter coragem de cometer suicídio, mas parar de comer não pode ser considerado um suicídio? Podemos dizer que é um suicídio em lentidão? 

   Enfim, quando estava no hospital o idoso percebeu que não tinha forças para lutar pela própria morte, seus argumentos e conhecimento não serviram para impedir as ações dos funcionários do hospital. 


Confira o documentário


quarta-feira, 28 de agosto de 2013

Brasil está entre os dez países com o maior número de voluntários

   No dia 28 de agosto é comemorado o Dia Nacional do Voluntariado. A data foi sancionada pelo presidente da República, José Sarney. Com o desenvolvimento das práticas sociais também surgiram os Centros de Voluntariado, que ajudam organizações sociais a aperfeiçoar a mobilização e gerenciamento de voluntários, e estimulam a prática do voluntariado na sociedade.

   De acordo com o estudo realizado pela organização britânica Charities AID Foundation (CAF), o “Word Giving Índex 2012 – A global view of giving trends”, o Brasil está entre os dez países com o maior número de voluntários. A pesquisa ainda mostra que os Estados Unidos ainda ocupam a primeira posição, possuem uma média de 105 milhões de pessoas que já praticaram algum ato solidário. A Índia aparece em segundo lugar com 87 milhões. Já o Brasil apresenta 18 milhões de pessoas.

   Para as Nações Unidas (ONU), “voluntário é o jovem, adulto ou idoso que, devido a seu interesse pessoal e seu espírito cívico, dedica parte do seu tempo, sem remuneração, a diversas formas de atividades de bem estar social ou outros campos”. Existem diversas formas de exercer o voluntariado, por exemplo, doar sangue, fazer e incentivar a coleta seletiva de lixo, visitar asilos e instituições infantis. Ou integrar alguma Organização Não-Governamental (ONG).

   No Brasil há milhões de ONGs e elas abrangem diversas áreas: meio ambiente, saúde, assistência social, educação, cidadania e cultura. Ao decidir qual é a área de interesse, o futuro voluntário deve pesquisar bem sobre a instituição, verificar se ela pratica as ideias que propaga, se existe juridicamente, visitar o local e conversar com funcionários e outros voluntários.

   Além da área, o voluntário deve se identificar com o projeto realizado. Algumas ONGs possuem diversos projetos. Um exemplo é a ONG Canto Cidadão, que atua em São Paulo há 11 anos. O Canto Cidadão começou com o grupo de voluntários que, caracterizados de palhaços, visita o público adulto de hospitais públicos e filantrópicos. Hoje, o Canto Cidadão também tem grupos de teatro e coral, que também atuam em hospitais. Mas quem não se sente bem em ambiente hospitalar pode dar aulas de inglês e espanhol na sede da ONG, localizada na zona Oeste de São Paulo.

   O avanço da tecnologia possibilitou que a busca por organizações sociais ficasse mais prática. Muito além de ferramentas de busca, como o Google, há sites específicos que apresentam instituições sociais e trabalhos voluntários. É o caso do Atados que funciona como uma rede social e ajuda as pessoas a encontrarem ONGs e atividades solidárias.



sábado, 17 de agosto de 2013

Voluntária ajuda a encontrar pessoas desaparecidas

   Uma mulher que foge de casa por causa da violência do marido, crianças que são retiradas dos pais devido à pobreza e separadas em abrigos, a mãe que deixou o filho para alguém cuidar por um tempo. Enfim, as histórias de pessoas desaparecidas são inúmeras. E quando não há suspeitas de sequestro ou homicídio a polícia não é de grande ajuda. Portanto, como encontrar um parente que você não tem notícias e muitas vezes nem chegou a conhecer?

   Lindalva Matos, mais conhecida como Tia Xereta, ajuda nestas situações voluntariamente. Após trabalhar o dia todo e enfrentar a turbulência do transporte público, Lindalva passa as poucas horas livres em frente ao computador procurando desaparecidos civis*. A história começou quando ela decidiu procurar duas tias maternas que estavam desaparecidas há décadas. Ao ter resultados positivos pensou em ajudar outros que passavam pela mesma situação. Desde então, Lindalva já encontrou mais de 2 mil pessoas.

   O documentário “Tia Xereta, Caminhos para o reencontro” aborda o trabalho voluntário de Lindalva. Além disso, mostra alguns casos de simples cidadãos que conseguiram encontrar familiares. A produção faz parte de um projeto de TCC que foi apresentado por estudantes de jornalismo em 2012.
A história da Tia Xereta comprova que o ser humano tem uma capacidade imensa para ajudar o próximo. Mesmo tendo muitas obrigações é possível dedicar um tempo, ainda que pouco, para realizar ações solidárias. O voluntário não é uma pessoa impecável. Ele tem defeitos e vícios como todo mundo, mas compreende que também apresenta qualidades que podem contribuir para o bem.

   *Desaparecido civil é aquele que desaparece sem que a família conheça o paradeiro.

Assista ao documentário "Tia Xereta, Caminhos para o reencontro"



quinta-feira, 8 de agosto de 2013

A ciência trabalha para produzir uma vacina contra o Alzheimer, mas os resultados podem demorar a aparecer

   Muitos estudos são realizados para prevenir a doença de Alzheimer, mas os resultados não devem surgir tão cedo. Pois ainda “são necessários muitos avanços e experimentos”, conta o Dr. Gilberto Xavier. Na última parte da entrevista o cientista explica o que o Alzheimer é para a neurociência e que na doença de Parkinson os sintomas cognitivos aparecem antes dos motores.

O que a neurociência pode dizer sobre a doença de Alzheimer? 
A doença de Alzheimer é uma síndrome que envolve várias alterações no sistema nervoso. Uma delas é perda de neurônios em uma região do cérebro chamado Córtex. Outra região que perde muitos neurônios é o Prosencéfalo Basal. Essa é uma região que tem neurônios que produzem uma substância química neurotransmissora chamada acetilcolina. Se falta acetilcolina* no cérebro, o indivíduo tem dificuldade na memória. A doença é “tratada” – na verdade ela não é tratada -, mas ela seria tratada dando substâncias como acetilcolina, então não é um tratamento, é um paliativo. Você está tratando o sintoma, não a doença. A doença é a perda de neurônios. Você teria que saber qual é o motivo da perda desses neurônios e tentar evitar que ela ocorra. 

Existem estudos sobre vacinas para prevenir a doença de Alzheimer? 
Sim. Existem estudos nesse sentido e “n” outras doenças neurológicas no caso. Porém, não verei isso funcionar. Talvez vocês vejam, mas eu não. 

Os estudos não estão avançados por conta da política, por falta de interesse ou por que ninguém bota fé? 
As pessoas botam fé sim, tanto é que tem dinheiro para pesquisar esse tipo de coisa. Depende de muitos avanços e experimentos. Por exemplo: essa epidemia de AIDS começou há muito tempo e se tornou mais coisa de mídia no final da década de 80. Naquela época se falava que em cinco anos nós teríamos uma vacina contra AIDS, mas não temos até hoje. São 33 anos. Por isso estou dizendo que, provavelmente, não vou ver uma vacina contra Alzheimer. 

Um estudo científico sempre é feito com contribuição do passado? 
Sempre. Na ciência, sempre. Ninguém faz ciência sozinho. Falo até uma frase minha, que sempre uso: “Ciência é um empreendimento coletivo”. Não existe o negócio de que um grande cientista inventou tudo sozinho. Dependo de pessoas que vieram antes de mim, que desenvolveram ideias. E descobriram coisas para eu criar os raciocínios, para eu tentar solucionar certo problema e usar isso para ir adiante. É um ato de produção de cultura, e cultura é uma coisa que é transmitida de geração para geração. Eu aprendi com as pessoas que me antecederam e estou ensinando para as pessoas que vão me suceder que são meus alunos. 

Tem um trabalho seu sobre a progressão da doença de Parkinson. Quais foram os resultados desse estudo?
É, na verdade estamos falando de um estudo que foi publicado há pouco tempo. Foi desenvolvido por um aluno meu que já concluiu doutorado. E acho que a contribuição maior desse trabalho é mostrar que, antes de aparecerem os sintomas motores, que são os mais valorizados na doença de Parkinson, os sintomas cognitivos já começaram anos antes. Então até isso pode ajudar no diagnóstico da intervenção para postergar o aparecimento da doença.

*Acetilcolina é um neurotransmissor que contribui com o desempenho da memória.

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quarta-feira, 7 de agosto de 2013

“Intuição tem tudo a ver com memória”, informa o neurocientista Gilberto Xavier

   Você acha que a mulher é mais intuitiva que o homem? O que significa intuição para a ciência? A segunda parte da entrevista do Dr. Gilberto Xavier fala sobre este assunto.

O que a ciência pensa sobre intuição?
Intuição tem tudo a ver com memória. A intuição nada mais é do que usar bancos enormes de memória que você já tem para fazer uma previsão a cerca de um momento. Intuição joga com probabilidades, o que pode acontecer. Estamos no mundo do objetivo e do concreto. Não é mágica.

E a questão de que as mulheres são mais intuitivas do que o homem?
É verdade. As mulheres são treinadas socialmente a prestar mais atenção a ambientes internos e expressões faciais. O sexto sentido feminino é na verdade uma capacidade de perceber expressões faciais. Tem toda uma história de que as mulheres extraem muitas informações das expressões não verbais dos outros.

Seriam pessoas mais perceptivas, mas estamos no mundo do objetivo e do concreto, ou seja, são percepções, são probabilidades que fazem com que as pessoas achem que algo vai acontecer. Pode ser até que aconteça aquilo que ela estava prevendo, mas não é mágico, não é que ela antecipou. 

Então nesse caso não há intuição melhor ou pior, porque o homem também tem. 
Você tem razão, o homem tem habilidades distintas. Por exemplo: se você pega um homem e coloca numa situação de orientação espacial em ambiente aberto, ele é melhor. Já a mulher é melhor em ambientes fechados. 

   *O próximo post aborda a doença de Alzheimer e de Parkinson.


segunda-feira, 5 de agosto de 2013

“Algumas drogas podem favorecer a memória, mas eu jamais tomaria”, diz neurocientista

   Eu precisava entrevistar um cientista para o trabalho de jornalismo científico. Melhor dizendo: Eu e o meu grupo. Numa busca incessante passamos por morte súbita, anorexia em adolescentes, sustentabilidade, poluição x aparelho respiratório e por fim chegamos à neurociência. Pois o Dr. Gilberto Fernando Xavier aceitou nos dar a entrevista.

   Mas o que pensamos quando escutamos a palavra neurociência? É algo distante de nós? Complicado? A princípio o termo pode parecer difícil, mas distante com certeza ele não é. A neurociência traz estudos importantes de diversos fatores que fazem parte do nosso dia- a- dia. Numa conversa mais que interessante o Dr. Gilberto conseguiu transmitir essa proximidade.

   Pesquisador da área de atenção e memória, no laboratório de neurociência e comportamento da USP, Dr. Gilberto fala sobre imaginação, intuição feminina, Alzheimer, Parkinson, consumo de medicamentos para memória, e sobre o fato de o cérebro do homem ser capaz de aprender qualquer coisa independente da idade. 

   Para o post não ficar muito longo resolvi dividir o tema. Comecemos!

Até que ponto a perda de memória na velhice é normal?
É normal. O que acontece é que ao longo do desenvolvimento humano, a partir do momento em que a gente é concebido como pessoa, começam a se dividir células. Hoje, sabe-se que continuamos a produzir células nervosas até a fase adulta e também perdemos alguns neurônios dependendo do grau de estimulação que recebemos do ambiente. O fato é que ocorrem outras alterações no sistema nervoso e a perda de células ao longo do envelhecimento nem é a coisa mais importante. Se a pessoa tiver um envelhecimento saudável, ela vai ter uma perda de um tipo específico de memória que é a operacional, um tipo memória de curta duração. O sistema nervoso que é uma estrutura bastante plástica, flexível, se molda de acordo com o estímulo que recebe do ambiente. Quanto mais a pessoa usa a atividade intelectual mais ela mantém o funcionamento do sistema nervoso intacto. É como fazer exercício físico; se você quer manter seu corpo fisicamente bem, tem que manter uma regularidade de atividade física. Do ponto de vista neural é a mesma coisa. Se você quer se manter intelectualmente bem tem que manter a atividade intelectual.

Isso quer dizer que a memória de uma pessoa alfabetizada é mais afiada do que a de um analfabeto?
Com certeza. Não só mais afiada, como maior. A extensão da memória operacional é maior. E a pessoa preserva a capacidade intelectual por mais tempo. Tudo isso em um envelhecimento saudável. 

O envelhecimento saudável é o mais raro?
O problema é que hoje têm aparecido muitas doenças neurológicas provavelmente relacionadas ao fato de que o ser humano está vivendo mais. Há dois, três séculos atrás, o ser humano vivia até os 40 anos. Hoje, por conta da questão de alimentação, saúde, vacinas e avanços da medicina, você consegue viver até os 70, 75 anos. A expectativa de vida média do brasileiro. Então, uma pessoa que chega nessa idade tem maior chance de ter doença. 

A memória está associada à imaginação?
Definitivamente. A imaginação é fruto da memória. Então, como a gente imagina coisas tão diferentes? Provavelmente por combinação de diferentes memórias e extrapolação. Extrapolação é quando não se precisa da informação se percebe a regra que está sendo usada e você consegue antecipar algo que pode acontecer. É por isso que a gente consegue imaginar coisas que nunca viveu, usando da memória para gerar extrapolações. 

Remédios para memória funcionam?
Algumas drogas podem favorecer a memória, mas eu jamais tomaria. O cérebro é uma estrutura que tem uma química extremamente complexa. E ela se autorregula. Se você desequilibra essa química usando um agente externo, consequentemente, o cérebro que é uma estrutura plástica vai alterar sua função. Ele altera a função para se adaptar a presença daquela substância. Você está criando uma estrutura que funciona de forma diferente.  Se você tira a substância terá uma síndrome de abstinência. 

Medicamentos psiquiátricos e remédio para emagrecer.  São muitos prejudiciais à saúde e memória?
Depende do medicamento. Os remédios para emagrecer, geralmente são anfetaminas e podem trazer consequências graves, inclusive sobrecarga cardíaca. Eu não aconselharia. 

O desenvolvimento do cérebro é infinito?
Infinito. Uma pessoa com 80, 90 anos consegue aprender a tocar piano, por exemplo. Vai lá, treina e aprende.

Um Jovem consegue reter mais informações. Por quê?
Porque a flexibilidade, a plasticidade nervosa do jovem é maior. 

   No próximo post falaremos sobre intuição, Alzheimer e Parkinson.