O Blog surgiu para apresentar produções acadêmicas com o intuito de dividir conhecimento e ajudar aqueles que necessitam de algum auxílio na área de humanas. No entanto, ele tomou outro rumo e passou a ser um espaço de informações que nem sempre estão no campo acadêmico. O que não impede que ele continue tendo a função de dividir conhecimento. Nele é possível encontrar variados temas, por exemplo, saúde, ações sociais, cinema, artes plásticas e literatura.
Ao contrário do que pode parecer para muita gente o Oriente Médio não é um lugar que vive apenas de conflitos. Ele apresenta uma riqueza cultural imensa, principalmente no cinema que rompeu fronteiras e aparece nas telas de diversos festivais internacionais. Um desses países é Israel, que teve sua produção cinematográfica iniciada por Yaacov Ben Dov muito antes de ser um Estado.
Os filmes israelenses abordam a relação entre judeus e árabes, a Guerra do Líbano da década de 1980 e também questões cotidianas como, amores, conflitos familiares e homossexualidade. Footnote (Hearat Shulayim), de Joseph Cedar, é um exemplo de problemas em famílias, pois mostra a rivalidade entre pai e filho. Já “The Bubble”, de Eytan Fox, apresenta a relação homossexual entre um homem israelense e um palestino.
Trailer do filme Footnote
Os temas destacados prendem a atenção do público e atraem prestígio entre os cinéfilos de plantão. Segundo o produtor e executivo, Yoram Globus, “uma vez que deixaram de fazer exclusivamente filmes sobre o conflito árabe-israelense, o mundo começou a assisti-los”. Mas além dos temas outro fator que beneficia a ascensão da indústria cinematográfica israelense é a alta tecnologia, porque ela traz baixos custos e aceleram a produção do filme.
O filme iraniano, A Separação, apresenta diversos
conflitos originados pelo tipo de sociedade existente no Irã. Assim, a discussão ética é bastante abrangente,
não só nos faz refletir um pouco sobre os costumes e pensamentos deste país,
mas também nos faz pensar em como é complexo pautar questões éticas de um lugar
tão diferente do que vivemos.
Além disso, dar destaque a filmes que fogem ao padrão
hollywoodiano quebra preconceitos que muitos têm referente ao Oriente Médio. Muitos
deles retratam pessoas comuns da sociedade que querem mudanças e não usam de
armas violentas para isso. Nada melhor que o cinema, uma das melhores
ferramentas para romper preconceitos e salientar novas perspectivas.
Não vemos discurso político direto, tema esperado
quando se trata de oriente médio. Mas, desdobramentos morais e religiosos perpassam
a história não com tom fundamentalista, e sim por uma desconcertante simplicidade
que transcende à sociedade iraniana e nos leva a uma percepção universal do ser
humano. O choque entre modernização e
tradicionalismo, a desigualdade social presente entre as famílias, a traição de
preceitos religiosos por meio da coerção, a liberdade feminina cerceada, a
violência física, o livre arbítrio e a felicidade da mulher iraniana são questões
que, excluindo a especificidade geográfica, debatemos em qualquer lugar do
mundo.
Nossas reflexões giram em torno de como é possível,
sob nosso ponto de vista ético, analisar eticamente uma sociedade em que seus
valores e condutas morais são diferentes dos nossos. Fico clara essa diferença
entre a sociedade ocidental e a iraniana. Algumas questões morais legitimadas
por nós, sequer são consideradas por eles, e outras contestadas por nós, são
facilmente aceitas por eles. Entretanto, independente da forma como vivem e de
quanto isso pode parecer distante de nós, partilhamos os mesmos conflitos
familiares, religiosos e sociais em busca de uma convivência mais harmoniosa.
Apesar de todas as mentiras e desentendimentos ao
longo da história, não há como julgar quem está certo ou errado, pois cada um
defendeu seus valores morais. As mentiras e as atitudes antiéticas foram o quê
fizeram para sobreviver e para defender seus interesses. Quem de nós, às vezes,
não faz isso?
Ficha técnica
A Separação, Drama, 123 minutos. Título Original: Jodaeiye Nader az Simin. Ano de lançamento: 2011. Direção: Asghar Farhadi
A história segue uma família formada por Simin, Nader e a filha de ambos, Termeh. Quando Simin decide deixar o Irã para dar um futuro melhor para Termeh, Nader decide não acompanhá-la porque precisa tomar conta do seu pai, doente com Alzheimer. Simin volta então para a casa dos pais e Termeh prefere ficar com Nader. O filme toma um novo rumo quando, para ajudá-lo a cuidar do seu pai, Nader contrata Razieh, que está grávida e aceita o emprego sem o marido saber. Por razões culturais, ele jamais permitiria que ela trabalhasse numa casa em que a esposa não está presente.
O cinema nasceu como uma arte marginal para um público
operário e imigrante, distante de ser rentável, e não considerado nobre como o
teatro. Devemos a sua origem ao norte americano Thomas Alva Edison e aos irmãos
franceses Auguste e Louis Lumière.
Quinetoscópio
Thomas Edison participa da História do cinema por ser o
inventor do quinetoscópio, aparelho responsável por exibir filmes curtos para
um espectador por vez. Já os irmãos Lumière
são considerados os inventores do cinema por terem filmado as primeiras imagens
em movimento, em 1985, e por terem promovido a primeira sessão para um público,
no Grand Café do Boulevard des Capucines, em Paris.
Os filmes criados pelos irmãos franceses reproduziam ações
cotidianas, como a chegada de um trem à estação e a saída de operários do
trabalho, eram pequenos documentários. Já a ficção ficou por conta do francês
Georges Méliès, que conseguiu utilizar truques de câmera, iluminação, montagem
e cenografia em seus filmes.
Outra figura importante do início do cinema é o
estadunidense David Wark Griffith. Ele estruturou as produções cinematográficas
valorizando a linearidade narrativa e a organização temporal e espacial dos
planos. Além disso, usava técnicas de tensão e suspense nas cenas. O cinema
passa por grandes transformações, e hoje é um produto extremamente lucrativo e
de entretenimento.
"A chegada do Trem à Estação de La Ciotat" - Produção dos irmãos Lumière