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quarta-feira, 7 de agosto de 2013

“Intuição tem tudo a ver com memória”, informa o neurocientista Gilberto Xavier

   Você acha que a mulher é mais intuitiva que o homem? O que significa intuição para a ciência? A segunda parte da entrevista do Dr. Gilberto Xavier fala sobre este assunto.

O que a ciência pensa sobre intuição?
Intuição tem tudo a ver com memória. A intuição nada mais é do que usar bancos enormes de memória que você já tem para fazer uma previsão a cerca de um momento. Intuição joga com probabilidades, o que pode acontecer. Estamos no mundo do objetivo e do concreto. Não é mágica.

E a questão de que as mulheres são mais intuitivas do que o homem?
É verdade. As mulheres são treinadas socialmente a prestar mais atenção a ambientes internos e expressões faciais. O sexto sentido feminino é na verdade uma capacidade de perceber expressões faciais. Tem toda uma história de que as mulheres extraem muitas informações das expressões não verbais dos outros.

Seriam pessoas mais perceptivas, mas estamos no mundo do objetivo e do concreto, ou seja, são percepções, são probabilidades que fazem com que as pessoas achem que algo vai acontecer. Pode ser até que aconteça aquilo que ela estava prevendo, mas não é mágico, não é que ela antecipou. 

Então nesse caso não há intuição melhor ou pior, porque o homem também tem. 
Você tem razão, o homem tem habilidades distintas. Por exemplo: se você pega um homem e coloca numa situação de orientação espacial em ambiente aberto, ele é melhor. Já a mulher é melhor em ambientes fechados. 

   *O próximo post aborda a doença de Alzheimer e de Parkinson.


segunda-feira, 5 de agosto de 2013

“Algumas drogas podem favorecer a memória, mas eu jamais tomaria”, diz neurocientista

   Eu precisava entrevistar um cientista para o trabalho de jornalismo científico. Melhor dizendo: Eu e o meu grupo. Numa busca incessante passamos por morte súbita, anorexia em adolescentes, sustentabilidade, poluição x aparelho respiratório e por fim chegamos à neurociência. Pois o Dr. Gilberto Fernando Xavier aceitou nos dar a entrevista.

   Mas o que pensamos quando escutamos a palavra neurociência? É algo distante de nós? Complicado? A princípio o termo pode parecer difícil, mas distante com certeza ele não é. A neurociência traz estudos importantes de diversos fatores que fazem parte do nosso dia- a- dia. Numa conversa mais que interessante o Dr. Gilberto conseguiu transmitir essa proximidade.

   Pesquisador da área de atenção e memória, no laboratório de neurociência e comportamento da USP, Dr. Gilberto fala sobre imaginação, intuição feminina, Alzheimer, Parkinson, consumo de medicamentos para memória, e sobre o fato de o cérebro do homem ser capaz de aprender qualquer coisa independente da idade. 

   Para o post não ficar muito longo resolvi dividir o tema. Comecemos!

Até que ponto a perda de memória na velhice é normal?
É normal. O que acontece é que ao longo do desenvolvimento humano, a partir do momento em que a gente é concebido como pessoa, começam a se dividir células. Hoje, sabe-se que continuamos a produzir células nervosas até a fase adulta e também perdemos alguns neurônios dependendo do grau de estimulação que recebemos do ambiente. O fato é que ocorrem outras alterações no sistema nervoso e a perda de células ao longo do envelhecimento nem é a coisa mais importante. Se a pessoa tiver um envelhecimento saudável, ela vai ter uma perda de um tipo específico de memória que é a operacional, um tipo memória de curta duração. O sistema nervoso que é uma estrutura bastante plástica, flexível, se molda de acordo com o estímulo que recebe do ambiente. Quanto mais a pessoa usa a atividade intelectual mais ela mantém o funcionamento do sistema nervoso intacto. É como fazer exercício físico; se você quer manter seu corpo fisicamente bem, tem que manter uma regularidade de atividade física. Do ponto de vista neural é a mesma coisa. Se você quer se manter intelectualmente bem tem que manter a atividade intelectual.

Isso quer dizer que a memória de uma pessoa alfabetizada é mais afiada do que a de um analfabeto?
Com certeza. Não só mais afiada, como maior. A extensão da memória operacional é maior. E a pessoa preserva a capacidade intelectual por mais tempo. Tudo isso em um envelhecimento saudável. 

O envelhecimento saudável é o mais raro?
O problema é que hoje têm aparecido muitas doenças neurológicas provavelmente relacionadas ao fato de que o ser humano está vivendo mais. Há dois, três séculos atrás, o ser humano vivia até os 40 anos. Hoje, por conta da questão de alimentação, saúde, vacinas e avanços da medicina, você consegue viver até os 70, 75 anos. A expectativa de vida média do brasileiro. Então, uma pessoa que chega nessa idade tem maior chance de ter doença. 

A memória está associada à imaginação?
Definitivamente. A imaginação é fruto da memória. Então, como a gente imagina coisas tão diferentes? Provavelmente por combinação de diferentes memórias e extrapolação. Extrapolação é quando não se precisa da informação se percebe a regra que está sendo usada e você consegue antecipar algo que pode acontecer. É por isso que a gente consegue imaginar coisas que nunca viveu, usando da memória para gerar extrapolações. 

Remédios para memória funcionam?
Algumas drogas podem favorecer a memória, mas eu jamais tomaria. O cérebro é uma estrutura que tem uma química extremamente complexa. E ela se autorregula. Se você desequilibra essa química usando um agente externo, consequentemente, o cérebro que é uma estrutura plástica vai alterar sua função. Ele altera a função para se adaptar a presença daquela substância. Você está criando uma estrutura que funciona de forma diferente.  Se você tira a substância terá uma síndrome de abstinência. 

Medicamentos psiquiátricos e remédio para emagrecer.  São muitos prejudiciais à saúde e memória?
Depende do medicamento. Os remédios para emagrecer, geralmente são anfetaminas e podem trazer consequências graves, inclusive sobrecarga cardíaca. Eu não aconselharia. 

O desenvolvimento do cérebro é infinito?
Infinito. Uma pessoa com 80, 90 anos consegue aprender a tocar piano, por exemplo. Vai lá, treina e aprende.

Um Jovem consegue reter mais informações. Por quê?
Porque a flexibilidade, a plasticidade nervosa do jovem é maior. 

   No próximo post falaremos sobre intuição, Alzheimer e Parkinson.

sexta-feira, 5 de julho de 2013

Por que a culpa é da vítima?

  Dizem que a maneira como a mulher se veste atiça o desejo dos estupradores. Ela usou algo provocante, mostrava muitas partes do corpo. Enfim, dezenas de justificativas para culpar a violentada e justificar o violentador. Mas se a questão é a roupa o que podemos dizer dos casos de violência sexual ocorridos no Egito? O que dizer das mulheres que mesmo cobrindo todo o corpo não escaparam de abusos? 

   Pensava na violência que gira em torno de nós enquanto lia as últimas notícias sobre o Egito e pensei muito mais quando me deparei com um post do Leonardo Sakamoto. Não! Sakamoto não falava sobre os casos egípcios. Num texto intitulado “Se a mulher é famosa, não pode ser vítima de violência doméstica?”, ele dizia que o ator Dado Dolabella não foi julgado por ter agredido a atriz Luana Piovani. Dentre as críticas o post destacava o fato de a justiça dizer que Luana não era uma mulher oprimida ou subjugada aos caprichos do homem, logo, não era necessário condenar Dolabella. O homem que foi escolhido pelo público para ganhar R$ 1 milhão no programa A Fazenda.

   Enfim, parte da sociedade continua defendendo o público masculino cegamente. Enquanto isso as mulheres continuam sendo molestadas nos trens, metrôs e ônibus lotados. Correm risco ao andarem sozinhas na rua à noite. Podem ser estupradas quando vão buscar água em algum canto da África. E neste mesmo continente podem ser usadas como armas sexuais. Não estão seguras no trabalho nem na própria casa.

   Não sei se diante de tudo isso sinto ódio, tristeza ou se vomito de nojo. Até quando seremos culpadas por tudo? Até quando nos culparão por causa dos homens que não conseguem conter os próprios impulsos sexuais ou pelos que se sentem no direito de bater por se considerarem mais fortes. O que nos resta? Não ser submissa. Ter a coragem de denunciar. Educar os filhos para que eles compreendam que a figura feminina não é inferior nem deve ser abusada e agredida. Há muito que fazer, defender, lutar e refletir.

domingo, 30 de junho de 2013

Jornalismo livre de pesquisas em internet conta histórias mais ricas e próximas do leitor

   Margareth e Gerard McKee começaram a namorar firme. Quando iniciaram os planos para casar e Gerard começou a trabalhar na ponte, Margareth passou a controlar o dinheiro economizado do salário semanal que o noivo recebia como operário metalúrgico. No verão de 1963 já tinham juntado oitocentos dólares.

   Mas os planos mudaram de rumo numa quarta-feira, 9 de outubro. McKee, como de costume, seguiu para o trabalho na ponte Verrazano-Narrows, em Nova York. E foi nessa ponte, com tempo nublado e ventoso, que ele caiu no mar. “Alguns homens que estavam na ponte se puseram a chorar e, lentamente, todos eles, mais de seiscentos, tiraram seus capacetes e começaram a descer”, conta Gay Talese no capítulo “Morte numa ponte”, do livro Fama & Anonimato.

   Gay Talese nasceu em Ocean City, Nova Jersey, em 1932. É um repórter que não tem preguiça de sair às ruas em busca de histórias, não se preocupa com o “furo” e diz não conhecer o Google. Por que essa informação sobre o Google é importante? Porque os jornalistas estão muito presos em pesquisas oriundas da internet. Para Talese é necessário sair pelo mundo, ver os acontecimentos, conversar e conviver com as pessoas. 

   A forma de Talese trabalhar o jornalismo permitiu que ele contasse a história de Gerard McKee fazendo o leitor adentrar o mundo de centenas de homens que trabalharam na Verrazano-Narrows. Quando surge essa aproximação temos a possibilidade de refletir sobre aqueles que exercem atividades honestas pondo em risco a vida diariamente. Pessoas que passam despercebidas, que não são homenageadas na inauguração de grandes monumentos, que têm uma família e planos para o futuro. Mas que muitas vezes, inocentemente, têm a vida interrompida por um desastre.

   McKee deixou Margareth, o sindicato trabalhista local fez uma campanha para que a construtora da ponte disponibilizasse redes de segurança sob as áreas onde os homens trabalhavam e diversos desses operários também construíram as torres do World Trade Center, derrubadas em 2001 pelo ataque terrorista de 11 de setembro.

   A parte da Ponte vai muito além da morte de McKee, por isso recomendo a leitura completa do livro “Fama & Anonimato”. Talvez você não goste de Gay Talese como eu gosto, mas imagino que passará a prestar atenção em muitas coisas que antes eram praticamente inexistentes.

Por Priscila Pacheco

terça-feira, 25 de junho de 2013

Aproximação entre diferentes culturas é essencial para romper preconceitos

Festa em comemoração ao dia Mundial do Refugiado / Foto de Carolina Nakamura
   
   Acompanhar as notícias de regiões conflituosas faz parte do meu cotidiano há 4 anos, em especial as que envolvem o Oriente Médio e o Afeganistão. O interesse não está relacionado a nenhuma descendência como algumas pessoas perguntam. Simplesmente comecei a estudar sobre esses lugares e quando percebi já estava muito envolvida. Tão entremetida ao ponto de largar a vontade de conhecer Nova York e Paris para desejar ir ao Afeganistão, Irã, Israel e Líbano. 

   Surgiu o sonho de ser correspondente de guerra e de ajudar a população sofrida. Para ser sincera, hoje, não sei se serei repórter de guerra, se terei tanta coragem para levar esse plano adiante. A guerra assusta e é preciso ter muita cautela e determinação para adentrar nela. A única coisa que posso dizer agora é que não consigo me desligar dessas culturas.

   Livros, filmes, palestras, cursos e grupos de discussão sobre o tema passaram a fazer parte da minha rotina. Eles são ótimos para que não fiquemos presos ao que grandes veículos de comunicação nos mostram. Além disso, valorizo muito o contato com pessoas que são desses países ou simplesmente os conhecem bem. Penso que assim podemos quebrar preconceitos e enxergar que lugares como o Oriente Médio, por exemplo, não são antros de terroristas. 

   As pessoas de lá são “gente como a gente”. Elas se apaixonam, sonham, trabalham, estudam, sorriem, sofrem. No Líbano as garotas podem usar biquínis, “ficam” e vão a festas. O Irã tem uma população jovem imensa que adora ir ao cinema e faz festa escondida das autoridades. Enfim, há uma infinidade de coisas que eu poderia relatar para mostrar que os monstros que assustam muitos ocidentais são criação de quem gosta de generalizar e enxerga só um lado da moeda.

   Enfim, as notícias relacionadas a países conflituosos fez com que o termo “refugiado” se tornasse algo comum para mim. Pois é normal as pessoas fugirem de governos opressores, de guerras e de desastres ambientais. Mas um post publicado no blog do Atados, rede social que possibilita o encontro de vagas de voluntariado em diversas ONGs,  fez com que eu prestasse atenção nos refugiados que vêm para o Brasil e passasse a pensar um pouco mais na África. Rapidamente compartilhei o texto com um casal de amigos, Marcos e Bianca. E por coincidência ou providência o Marcos havia pensado na questão dos refugiados naquele mesmo dia. Além disso, o irmão dele começaria a dar aulas de português aos refugiados no Instituto de Reintegração do Refugiado - Adus. Começamos a conversar muito sobre o tema. Eu ligada nos 220 volts como de costume.

   Todavia, o despertar causado pelo post foi fortalecido pela festa One Love Junino. O evento realizado no dia 16 de junho pela Adus em parceria com o Atados adiantou a comemoração ao dia Mundial do Refugiado, que acontece no dia 20 de junho. Naquele momento não surgiram somente africanos. Entre eles estavam habitantes de países da América. Mas independente da localização imagino que cada um deve enfrentar empecilhos parecidos para conseguir reconstruir uma nova vida no Brasil. Empecilhos que pelo visto não conseguem derrotar a esperança. Aquela que consegui ver no olhar de muitos deles. 

   Durante as conversas eles transmitiam a empolgação em conseguir um emprego, alugar uma casa, aprender o português. Diziam que o Brasil era um país muito bom, que o racismo aqui não é tão grande e ficavam felizes quando descobriam que no Brasil nós estudamos sobre a África na escola. Esse contato confirma o que disse parágrafos acima: precisamos nos aproximar das pessoas para quebrar preconceitos e entender que independente da região temos muitas características em comum. 

   Enfim, eles sonham, trabalham, estudam, sorriem, sofrem e amam. Eles são gente como a gente. 

   Continuemos a conversa numa próxima oportunidade.


Por Priscila Pacheco

terça-feira, 18 de junho de 2013

Falta de reeducação alimentar prejudica quem deseja emagrecer

   O excesso de peso é um problema preocupante na sociedade brasileira, pois tem atingido mais gente nos últimos anos. De acordo com a última pesquisa realizada pelo Ministério da Saúde, em 2011, o número de pessoas acima do peso no Brasil subiu de 42,7% para 48,5% entre 2006 e 2011.

   Mas não é somente o aumento de peso que deve ser considerado um agravante para a saúde pública. O estilo de vida de quem tenta emagrecer, mas tem dificuldade requer muita atenção. Afinal, é comum encontrar pessoas que dão preferência às “milagrosas” dietas pobres em nutrientes, ao consumo de medicamentos diuréticos sem acompanhamento médico ou até à ausência de alimentação.

   De acordo com a nutricionista Giovanna Mauro e Silva, os problemas mais comuns causados pelas dietas “milagrosas” são “sonolência, perda de atenção, queda de cabelos e unhas, olheiras, entre outros, chegando a anemias e distúrbios”. Giovanna também informa que “existem situações em que os remédios para emagrecer podem servir de auxiliadores, porém não substituem a mudança de hábitos. Estes casos devem ser acompanhados por médicos que dirão o tipo de remédio a ser usado”.

   A psicóloga Andréa Bossan começou a tomar medicamentos diuréticos aos 15 anos de idade. Hoje, aos 40, afirma que conseguiu ficar muito magra, mas voltou a engordar. Tenta fazer várias dietas, fica sem se alimentar por um longo tempo e se rende ao consumo de shakes. Andrea reconhece que tem dificuldade em fazer reeducação alimentar e praticar atividade física. “Só não volto a tomar remédio, porque não posso mais. Se pudesse com certeza voltaria, pois é bem mais fácil e rápido para emagrecer”.

   Para Giovanna Mauro e Silva, “as pessoas tendem a se acostumar com o que comem e o quanto comem. E mudar os hábitos é o mais difícil”. Giovanna ainda afirma que “depois que perdemos os “vícios”, a reeducação alimentar se torna menos complicada”. Já Bruna Fernanda Makiyama Albano, também nutricionista, acredita que “as principais dificuldades encontradas atualmente são a determinação de horários e a escolha dos alimentos frente à correria do dia-a-dia”.

   Quem consegue seguir uma dieta saudável reconhece que há muitos benefícios. É o caso da assistente administrativa Carmen Morales, que conseguiu perder 7 kg mantendo uma alimentação balanceada e praticando exercícios físicos. “Além de perder peso, perdi medida. Me sinto mais leve”, diz Carmen, que acredita que a determinação é essencial para conseguir atingir os objetivos. Carmen faz hidroginástica três vezes por semana e, duas vezes por semana, pratica uma mistura de pilates, yoga e alongamento. “Sinto bem estar”, complementa Carmen.

Produtos orgânicos x Reeducação alimentar

   Segundo Giovanna, os produtos orgânicos “não têm influência direta na reeducação alimentar, pois o processo de perda de peso está associado a quantidades e tipos de alimentos. O fato de ser orgânico não torna este processo mais fácil ou mais rápido, apenas mais saudável”. Bruna complementa: “devem-se considerar as condições socioeconômicas do indivíduo e, portanto, nem sempre estes alimentos são acessíveis”.

   Levando em consideração a questão econômica, quem tiver interesse em consumir esse tipo de alimento pode optar por cultivar uma horta orgânica em casa. “Aqueles que aprendem a produzir o próprio alimento, cada vez mais procuram saber o que é importante na alimentação, mudando os próprios hábitos alimentares”, diz Carlos Daniel de Souza Rodrigues, especialista em produtos orgânicos e hortas caseiras.

Dúvidas frequentes

O emagrecimento rápido está mais associado ao efeito sanfona do que o lento? 

Giovanna Mauro e Silva - Sim, pois o peso demora um período para se adequar ao corpo, então quem perde muito peso rápido tem uma tendência maior a engordar novamente, do que os que emagrecem de forma lenta.

O consumo de medicamentos para emagrecer pode ser evitado ou há casos em que o uso deles é inevitável? Por quê?

G.M.S - O Consumo de remédios para emagrecer pode e deve ser evitado, pois o processo de emagrecimento consiste muito mais em uma educação alimentar do que no uso de remédios. Existem situações em que os mesmos podem servir de auxiliadores, porém não substituem a mudança de hábitos. Estes casos devem ser acompanhados por médicos, que dirão o tipo de remédio a ser usado, e para que situações, por exemplo: depressão, disfunções de hormônios e glândulas, entre outros.

Quais os principais problemas que o consumo de medicamentos diuréticos pode causar em quem tem dificuldade para emagrecer?

G.M.S - O consumo de diurético é muito associado ao emagrecimento, mas é ilusório. Pois ele reduz o inchaço e não a gordura. Seus efeitos são para reduzir a retenção hídrica, ou seja, eliminar água do corpo, e diminuir a pressão arterial. Assim, pessoas que usam sem recomendação médica podem ter complicações, como pressão baixa, enxaquecas, enjoos, taquicardia, entre outros.


sábado, 1 de junho de 2013

A fotografia tem capacidade de denunciar e transformar

Ayad conseguiu operar o olho depois que as fotografias de Maurício Lima mobilizaram uma família americana.

   Em janeiro escrevi um post sobre uma exposição de fotografias que revelavam a História do Brasil. No texto citei o poder de reflexão que uma imagem é capaz de causar. Alguns meses depois retomo o assunto e reflito, mas não sobre a História do Brasil. Dessa vez o objeto que gera inquietude é a guerra.

   Por que fotografar a guerra? Fotografa-se para alimentar o sensacionalismo? Vender o sofrimento alheio? Não vejo a fotografia de guerra como algo negativo no sentido de se aproveitar da tristeza para ganhar status. Penso que as imagens dessas atrocidades têm a missão de denunciar o que está acontecendo longe dos olhos de muita gente.

   Robert Capa é um dos pais da fotografia de guerra. Ele esteve presente nos principais conflitos da primeira metade do século XX e morreu com a câmera fotográfica na mão após pisar numa mina terrestre, na Guerra da Indochina. Podemos dizer que Capa é um precursor da denúncia social que abrange os conflitos armados. 

   James Nachtwey é mais um exemplo desse grupo de fotógrafos. Ele foi influenciado pelas imagens da Guerra do Vietnã e por isso enxerga esse tipo de fotografia como uma poderosa denúncia de crueldade e injustiça.

Veja o documentário “Fotógrafo de guerra” que conta a trajetória de James Nachtwey


   O Brasil também não fica de fora quando se trata desse tipo de trabalho. Entre os fotógrafos da área podemos citar André Liohn e Maurício Lima. Ambos acreditam no poder de mobilização que a fotografia possui. Para Maurício cobrir guerra “É necessário e fundamental. É uma vertente na fotografia que, se bem executada, pode servir de agente transformador e de denúncia na vida das pessoas porque mexe com a emoção, o sentimento, a sensibilidade do fotografado e do fotógrafo.”.

   Agora eu pergunto: E você? Pensa como esses fotógrafos? A fotografia de guerra é uma importante ferramenta para fazer denúncias? Você se mobiliza quando vê uma imagem de guerra? Eu acredito que a fotografia tem esse poder de mobilização. 

   Finalizo esse post com um vídeo que eu e a Bianca Amorim preparamos. Nele nós mostramos o trabalho de Robert Capa, James Nachtwey, André Liohn e Maurício Lima.



Por Priscila Pacheco 

terça-feira, 14 de maio de 2013

São Paulo, a cidade das coisas despercebidas




São Paulo é uma cidade imensa, que com seus 11.253.503 habitantes consegue deixar muitas coisas passarem despercebidas.

São Paulo é a cidade das belas frutas do Mercado Municipal, do morador de rua que dorme na calçada do Centro e do que monta uma barraca ao lado de uma universidade na Vila Olímpia.

É a cidade que tem uma frota de mais de 15 mil ônibus urbanos, que dividem espaço com carros, motos, bicicletas e o homem da carroça carregada de papelão. É a cidade em que o lixo é jogado no chão ao lado da lixeira e os cigarros tomam o lugar das formigas e dominam o solo.

São Paulo é a cidade viva que mantém pessoas acordadas dia e noite, mas é a cidade morta que não enxerga as faxineiras que varrem em frente aos grandes prédios e nem os que os constroem.

São Paulo é a selva de pedras que tem um belo jardim no Batalhão da Polícia Militar, obras de arte espalhadas pelo Parque da Luz, e um ambiente de tranquilidade nos extremos da zona sul, mais conhecido como Solo Sagrado. 

São Paulo é o lugar onde grande parte dos seus moradores se refugiam nos 90 shoppings espalhados pelos 1522 km de cidade nos dias mais bonitos do ano, e que reservou 149 quilômetros de suas faixas de trânsitos para aqueles que gostam de pedalar nos domingos.

São Paulo é a cidade de 281 mil e 847 analfabetos, de 6 mil e 765 moradores de rua, das câmeras de segurança, dos anúncios em postes que trazem seu amor de volta, é a cidade que enxerga e não enxerga, que funciona 24 horas mas não tem tempo para nada, que vive e morre todos os dias.

São Paulo é a cidade das alegrias e tristezas, dos amores, desamores e dos sonhos de cidade grande, dos italianos, japoneses, espanhóis, portugueses que, no final, são todos paulistanos. São Paulo é a cidade das coisas que passam despercebidas, a Pauliceia Desvairada, mas que ainda, preserva as luzes, a beleza, e os dentes de leão em suas calçadas.

*Esse trabalho foi inspirado pela obra "Fama e Anonimato", de Gay Talese.

Crônica: Priscila Pacheco e Laura Dourado
Vídeo: Renata Simond
Fotos: Jana Rodrigues, Laura Dourado, Patrícia Allerberger, Priscila Pacheco e Renata Simond