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segunda-feira, 24 de setembro de 2012

Saiba mais sobre a coleta de células-tronco do cordão umbilical


   A possibilidade de revolucionar o tratamento de diversas doenças com o uso de células-tronco encontradas no sangue de cordão umbilical e placentário (SCUP) é uma esperança que estimula cada vez mais pesquisas com esse tipo de material. Confira mais informações na reportagem transmitida pela rádio CBN, por meio do projeto Universidade no ar, que foi produzida por mim e pela Priscila Martins, com participação de Gabriela Stampacchio.


Por Priscila Pacheco

domingo, 23 de setembro de 2012

A Separação - Um estudo da Ética


   O filme iraniano, A Separação, apresenta diversos conflitos originados pelo tipo de sociedade existente no Irã.  Assim, a discussão ética é bastante abrangente, não só nos faz refletir um pouco sobre os costumes e pensamentos deste país, mas também nos faz pensar em como é complexo pautar questões éticas de um lugar tão diferente do que vivemos.

   Além disso, dar destaque a filmes que fogem ao padrão hollywoodiano quebra preconceitos que muitos têm referente ao Oriente Médio. Muitos deles retratam pessoas comuns da sociedade que querem mudanças e não usam de armas violentas para isso. Nada melhor que o cinema, uma das melhores ferramentas para romper preconceitos e salientar novas perspectivas.

   Não vemos discurso político direto, tema esperado quando se trata de oriente médio. Mas, desdobramentos morais e religiosos perpassam a história não com tom fundamentalista, e sim por uma desconcertante simplicidade que transcende à sociedade iraniana e nos leva a uma percepção universal do ser humano.  O choque entre modernização e tradicionalismo, a desigualdade social presente entre as famílias, a traição de preceitos religiosos por meio da coerção, a liberdade feminina cerceada, a violência física, o livre arbítrio e a felicidade da mulher iraniana são questões que, excluindo a especificidade geográfica, debatemos em qualquer lugar do mundo.

   Nossas reflexões giram em torno de como é possível, sob nosso ponto de vista ético, analisar eticamente uma sociedade em que seus valores e condutas morais são diferentes dos nossos. Fico clara essa diferença entre a sociedade ocidental e a iraniana. Algumas questões morais legitimadas por nós, sequer são consideradas por eles, e outras contestadas por nós, são facilmente aceitas por eles. Entretanto, independente da forma como vivem e de quanto isso pode parecer distante de nós, partilhamos os mesmos conflitos familiares, religiosos e sociais em busca de uma convivência mais harmoniosa.

Apesar de todas as mentiras e desentendimentos ao longo da história, não há como julgar quem está certo ou errado, pois cada um defendeu seus valores morais. As mentiras e as atitudes antiéticas foram o quê fizeram para sobreviver e para defender seus interesses. Quem de nós, às vezes, não faz isso?

Ficha técnica 
A Separação, Drama, 123 minutos. Título Original: Jodaeiye Nader az Simin. Ano de lançamento: 2011. Direção: Asghar Farhadi
Elenco Principal. Hodjat - Shahab Hosseini. Razieh - Sareh Bayat. Somayeh - Kimia Hosseini. Nader - Peyman Maadi. Simin - Leila Hatami. Termeh - Sarina Farhadi

Sinopse
A história segue uma família formada por Simin, Nader e a filha de ambos, Termeh. Quando Simin  decide deixar o Irã para dar um futuro melhor para Termeh, Nader decide não acompanhá-la porque precisa tomar conta do seu pai, doente com Alzheimer. Simin volta então para a casa dos pais e Termeh  prefere ficar com Nader. O filme toma um novo rumo quando, para ajudá-lo a cuidar do seu pai, Nader contrata Razieh, que está grávida e aceita o emprego sem o marido saber. Por razões culturais, ele jamais permitiria que ela trabalhasse numa casa em que a esposa não está presente.
Sinopse disponível em: http://www.jb.com.br/progama/noticias/2012/01/19/critica-a-separacao/ Acesso em: 22/05/2012.

Por Bruna Freesz

quinta-feira, 13 de setembro de 2012

A coragem para lutar por um ideal morreu no século XXI?

Apolônio de Carvalho

   Apolônio de Carvalho é alguém importante para a História do Brasil e do mundo. Por quê? Porque Apolônio sempre foi um homem corajoso que lutou por seus ideais. Talvez você nunca tenha escutado ou lido o nome dele. Mas Apolônio teve uma participação importante nos acontecimentos do sangrento século XX. Tanto que ganhou um documentário intitulado de “Vale a pena sonhar”.

   O documentário é baseado num livro do mesmo nome e apresenta depoimentos do próprio Apolônio e de outras pessoas que tiveram alguma participação nas mesmas lutas que ele. Assistindo à produção vimos a determinação de um homem que era visionário e acreditava na possibilidade da vitória de seus ideais.

   Após sair da prisão durante o governo Vargas, Apolônio segue com outros brasileiros para a Espanha. Como participante das Brigadas Internacionais ele luta contra os fascistas do governo Franco na Guerra Civil Espanhola. E depois parte para a França e participa da Resistência Francesa. Apolônio também lutou contra a Ditadura Militar Brasileira.

   A atitude de Apolônio e das milhares de pessoas que foram voluntariamente lutar por seus ideais na Guerra Civil Espanhola é um dos maiores exemplos de solidariedade. O que nos faz refletir sobre o cenário que vivemos hoje. Existe essa solidariedade atualmente? Nós sairíamos do conforto de nossas casas para se juntar a um povo de outro país e lutar? Não vamos nem nas manifestações da Paulista imagine para outro país numa guerra.

   Mas por que o século XX mesmo sendo considerado um dos séculos mais carnificinas da História tinha pessoas tão corajosas? Há quem diga que apesar do período sanguinário ainda se acreditava no ser humano e as pessoas tinham um ideal. Já o século XXI é marcado pelo individualismo, consumismo e nós não somos educados para lutar por um ideal. Muitos nem ao menos têm esse tal de ideal.

   Talvez seja por isso que tantas coisas acontecem no mundo e não damos importância. Enfim, não sei se o século XXI será pior que o XX, mas imagino que não teremos muitos Apolônios em nossa História.

Trecho do documentário “Vale a pena sonhar”



Guerra Civil Espanhola

   Para entender melhor o que foi a Guerra Civil Espanhola veja o seguinte programa do Observatório da imprensa.


Por Priscila Pacheco

domingo, 9 de setembro de 2012

A sétima arte no país Persa



   Ao falar sobre cinema logo penso na influência que ele possui em nossas sociedades, pode ser apenas algo para entreter, um grande alienador integrante da Indústria Cultural ou uma arte reflexiva, que nos faz enxergar e refletir sobre determinadas questões. Sendo assim, concordo quando o cineasta iraniano, Abbas Kiarostami, diz: “Em minha opinião, tanto o cinema como as demais artes deveriam interferir na forma de pensar dos espectadores para fazê-los renegar os velhos valores e abrirem-se aos novos”.

   A História do cinema é repleta de obras que foram além do entretenimento, por exemplo, Tempos modernos, de Charles Chaplin, A Batalha de Argel, de Gillo Pontecorvo e Salaam Bombay, de Mira Nair. Enfim, poderia escrever uma imensa lista de filmes desse estilo, mas dessa vez o meu intuito é falar um pouco sobre o cinema iraniano. 

Tempos Modernos, Batalha de Argel e Salaam Bombay

   Quando alguém pergunta o que você sabe sobre o Irã qual é a sua resposta? É um lugar rico em petróleo, o presidente se chama Mahmoud Ahmadinejad, é um país inimigo de Israel, se envolveu numa guerra contra o Iraque. E o cinema? O que você sabe sobre o cinema iraniano? Hum... ganhou o Oscar de melhor filme estrangeiro com A Separação. Sim! Todavia, antes de A Separação o Irã já possuía um currículo imenso de produções cinematográficas.

   O país persa é simplesmente um dos maiores produtores cinematográficos do mundo. Mesmo tendo muitas salas de cinemas fechadas e até queimadas durante a Revolução Islâmica o Irã mantém uma população que gosta muito de assistir a filmes. Nem a censura foi capaz de deter a paixão que o povo iraniano tem pelo cinema. Tanto que o número de escolas de cinemas está crescendo e a quantidade de diretores é imensa.

Mohsen Makhmalbaf
   Muitas das produções apresentam uma crítica social, e usam a metáfora como ferramenta para escapar da censura. Apesar de que o uso dessa figura de linguagem vem diminuindo. Alguns cineastas vivem exilados por terem sido considerados inimigos do próprio país, como é o caso de Mohsen Makhmalbaf. Pessoas como Makhmalbaf tentam mostrar ao mundo a violação dos direitos humanos e a falta de liberdade que existe no Irã. Eles são exemplos de coragem e persistência.

   Para saber mais sobre o cinema e a sociedade iraniana recomendo a leitura de “O novo cinema iraniano”, de Alessandra Meleiro, e O Irã sob o chador – Duas brasileiras no país dos aiatolás, escrito por Adriana Carranca e Márcia Camargos. Num próximo post referente ao cinema iraniano pretendo falar sobre alguns filmes e outros cineastas para que conheçam melhor o que é produzido pelo país dos persas. 

Por Priscila Pacheco

terça-feira, 4 de setembro de 2012

Uma visita ao Mercado!


Sejam bem vindos a esse distinto e elegante senhor de quase 80 anos. Construído numa época, que em São Paulo, para se chegar até aqui, Rua da Cantareira, pegava-se trens, bondes eternizados, como aquele “Trem das Onze”. Prédio suntuoso, neoclássico por estilo e forma, e por crença, protegido por Ceres, aquela que por outras formas foi singelamente retratada nesses coloridos vitrais, obras de artes que encantam olhares atentos, e porque não, também os distraídos. Cenas vivas do semear e colher, princípios fundamentais que nos fazem relembrar o quanto é simples viver.
Aliás, um dos poucos lugares dessa metrópole que ainda podemos vivenciar as delícias de uma vida simples. As cores variadas das hortaliças e verduras, o aroma dos condimentos e temperos, os sabores divinos dos vinhos, queijos e chocolates, a doçura das frutas daqui e de outras terras, o paladar inusitado de especiarias do mar e o gosto familiar ou não de certas carnes que só encontramos aqui.


Senhor imponente recentemente revigorado. Toda readequação arquitetônica pensada para oferecer aos visitantes melhores acesso, acessibilidade e conforto, afinal anos de história não podem ser esquecidos, e sim, recontados às gerações futuras.
Serviço prestado a favor daqueles que admiram a boa gastronomia. Quem ainda não experimentou os saborosos e incontestáveis sanduíche de mortadela e pastel de bacalhau? Ou até para paladares mais refinados, pratos exóticos preparados por grandes “chefs” no Espaço Gourmet? A favor dos que prezam o patrimônio histórico e cultural. Ou alguém contestaria que aqueles pastéis já não fazem parte do patrimônio cultural paulistano? E claro, reverências àqueles que dedicam suas vidas a dar vida própria a nosso protagonista.

Este distinto Senhor agradece a presença e estará sempre aqui para contar histórias, proporcionar  aromas e oferecer delícias a todos que de longe ou de perto chegarem para desfrutar com plenitude desse Mercadão de São Paulo.
Por Bruna Freesz.

sábado, 25 de agosto de 2012

Nelson Rodrigues, jornalista aos 13 anos



Dono de obras cujos temas principais são o amor, adultério e morte, Nelson Rodrigues adentrou o mundo da escrita bastante cedo. Aos 13 anos de idade iniciou sua carreira jornalística no jornal “A Manhã”, que era do seu próprio pai. Também trabalhou em “Crítica”, outro jornal do pai, “Correio da manhã”, “O Jornal”, “Última Hora”, “Manchete Esportiva” e “Jornal do Brasil”.

No entanto, Nelson não se prendeu aos jornais, ele enriqueceu o teatro brasileiro, teve obras adaptadas para o cinema e televisão.  Além de ter participado de mesas redondas e liderado um programa de entrevistas denominado de “A Cabra Vadia”.

Algumas das obras de Nelson são: Vestido de Noiva, que revolucionou a história do teatro nacional; Engraçadinha, que foi adaptada para uma minissérie da tevê Globo; e Bonitinha, mas ordinária, que foi para o cinema estrelada por Lucélia Santos e José Wilker.

Nelson escreveu muitos contos, crônicas, romances e peças. Enfrentou a censura e conheceu a extrema pobreza na década de 1930, quando o jornal do pai foi fechado. Com certeza, Nelson Rodrigues enriqueceu bastante a nossa literatura. Mas sua história faz com que pensemos em algo que está causando discussões há algum tempo: “O diploma para jornalistas deve ser mesmo obrigatório?”. Bom, Nelson não devia ter diploma quando começou a trabalhar como repórter aos 13 anos de idade.

Confira a entrevista que Nelson Rodrigues concedeu a Otto Lara Rezende


Por Priscila Pacheco

quinta-feira, 16 de agosto de 2012

De onde vem a expressão Indústria Cultural?

Max Horkheimer e Theodor Adorno

Esse termo foi criado pelos estudiosos alemães Max Horkheimer e Theodor Adorno na primeira metade do sec. XX para substituir outro, “cultura de massa”. Sua primeira ocorrência foi no livro “Dialética do Esclarecimento: fragmentos filosóficos”. Segundo os autores, “cultura de massa” induz ao erro que satisfaz aos interesses dos detentores dos veículos de comunicação, ou seja, grupos empresariais ligados a esse setor. Pois, pressupõe algo surgindo espontaneamente das próprias massas. Enquanto, na verdade, a “indústria cultural” não apenas adapta seus produtos às massas como determina seu consumo.

Logo, podemos compreendê-la como:

“...cultura massificada que é transformada em produto de consumo. É o processo pela qual hoje se controla a produção de cultura de uma região, cidade ou nação.” (Guerra, Mattos, 2008)1

“...realidade do capitalismo, que precisa do consumo ativo para estabelecer-se e manter-se.” (Guerra, Mattos, 2008)2

Contexto histórico

Com a consolidação do modo capitalista de produção no séc. XX, a Indústria Cultural utilizou do conceito de produção em série e domínio das técnicas de reprodução para exercer papel específico de portadora da ideologia dominante. Sacrificou-se assim, a distinção entre o caráter individual da obra de arte e do sistema social. Sua estrutura está ligada à fase monopolista do sistema capitalista, período em que pode atingir plena configuração.
Com isso, o domínio do homem sobre a ciência e a técnica, pensado pelos iluministas, como modo de libertação do próprio homem, contraditoriamente, torna-o vítima do progresso desse domínio. Assim, a Indústria Cultural passa a utilizar esse progresso como instrumento para conter o desenvolvimento da consciência das massas.

O sistema

“Característica marcante da indústria cultural é que suas mensagens possuem uma lógica de produção e distribuição semelhante às demais mercadorias no sistema capitalista.” (Gomes, 2004)

O processo operativo integra cada elemento. O produto oferecido com “nova fachada”, nada mais é que representação daquilo que já foi ofertado de forma diferente. Mas, continua sempre igual.  Apenas um dos exemplos para isso, são obras da literatura mundial ganhando suas versões cinematográficas para deleite de um público que, provavelmente, já conhece o final da história.

O indivíduo

A indústria cultural cria necessidades ao indivíduo que deve contentar-se com o que lhe é oferecido. Assim, é possível organizar todo um sistema de consumo em que o sujeito compreenda sua condição de objeto daquela indústria. Desse modo, instaura-se a dominação natural e ideológica, levando o sujeito à alienação.
"... a dominação economia sobre a vida social levou, na definição de toda realização humana, a uma evidente degradação do 'ser' em 'ter'."(DEBORD, 1967)3

Para onde vamos?

Ao voltarmos nossa reflexão para a área jornalística, de modo bem sucinto, verificamos que a indústria cultural auxilia o jornalismo através da manipulação das informações por parte daqueles que detêm essa informação. Que, como qualquer empresa capitalista, fabrica produtos padronizados que possam atingir a maior parte de consumidores possíveis. Como a matéria prima nesse negócio é a noticia, só é levado ao grande público aquilo que dá ibope, e por fim, gera lucro.

1. GUERRA, Marco Antônio, MATTOS, Paula de Vincenzo Fidelis Belfort. Indústria Cultural. São Paulo: Universidade São Judas Tadeu.2008.
2. GOMES, Pedro Gilberto. Tópicos de Teoria da Comunicação. São Leopoldo: Editora Unisinos, 2004.
3. DEBORD, Guy. Sociedade do Espetáculo. Rio de Janeiro: Contraponto, 2007.


Capa da primeira edição de 1947. 
Editora Querido Verlag em Amsterdã.
Título: Dialektik der Aufklärung: 
Philosophische Fragmente.
Por Bruna Freesz

quarta-feira, 1 de agosto de 2012

Vai pra onde? O futuro do jornal impresso – Parte final




Em virtude dos questionamentos relacionados ao futuro do jornal foi realizada uma pesquisa com 62 jornalistas dos estados de São Paulo e do Rio de Janeiro (os dois maiores mercados jornalísticos do Brasil).  Para todos os profissionais foi feita a seguinte pergunta: “Você acha que o jornal impresso poderá ser extinto por causa do crescimento da internet”? Os 62 profissionais estão empregados em veículos pequenos, médios e grandes. As entrevistas foram realizadas pessoalmente, por telefone e e-mail.

Muitos profissionais da área expressam opiniões que lembram o tema central de Apocalípticos e Integrados, livro escrito por Umberto Eco na década de 1970. Assim, foi possível classificar as respostas em três grupos. Aqueles que estão crentes que a mídia impressa será extinta são os Apocalípticos, 10 dos que responderam a questão. Já os que acreditam que o jornal resistirá aos adventos da informática são os Integrados. Esses são maioria, pois totalizam 47 jornalistas. E há, ainda, um terceiro: os Moderados, que contam com apenas 5 respostas.

No grupo dos integrados estão presentes aqueles que acreditam na permanência do jornal mesmo com o advento da internet. Um argumento bastante utilizado por estes defensores é de que o jornal deve modificar-se.  Dentre as modificações citadas estão: a interatividade com as outras mídias, principalmente a internet; o conteúdo deve ser mais analítico e aprofundado; a distribuição do conteúdo deve passar por reajustes; a diagramação deve ser atraente.

Outros pontos defendidos pelos integrados são os de que a internet possui agilidade na veiculação das notícias, mas não apresenta profundidade na abordagem dos assuntos nem são completamente confiáveis, principalmente por causa da velocidade das publicações; as tecnologias portáteis, como tablets e smartphones ainda não estão completamente difundidas, o preço dos aparelhos é elevado assim como o acesso à internet. Já o impresso, para eles, tem poder de ser um documento muito importante com o potencial de registrar a história de uma cidade, em especial as que ficam no interior dos estados, e a informação no papel tem mais credibilidade.

Para o repórter do jornal O Dia, Geraldo Perelo, as mídias eletrônicas, em tempo real, não têm condições de oferecer uma informação mais cuidadosa e elaborada por causa do imediatismo.

“É comum a “barrigada” (informações erradas, não checadas) em portais de informação, em tempo real, exatamente pela falta de tempo para apuração dos fatos. O jeito é fazer as correções necessárias, de tempo em tempo, para ir situando o internauta, o expectador ou o telespectador, aos poucos. O jornal, por sua vez, usa o tempo disponível para esmiuçar (investigar, analisar) repercutir, desdobrar, incrementar, ilustrar (com fotos, infografia etc) a informação, de forma a dar melhor subsídios à formação de opinião. O leitor do jornal não quer mais saber que o prédio desabou; isto, ele já tomou conhecimento pela internet, rádio e televisão. Ele vai comprar o jornal no dia seguinte para saber, “por quê?”– a obra foi mal feita, faltou fiscalização da prefeitura etc, informação que geralmente resulta de um trabalho mais detalhado, repito, mais investigado.”, diz Geraldo.

Já o jornalista do O Estado de São Paulo, Roberto Godoy, pensa que os jornais impressos terão vida longa e próspera, mas terão de ser mais inteligentes e possuir diferenciais em relação às plataformas eletrônicas. “Circulação menor, preço maior, conteúdo analítico, feito por profissionais de elevada capacidade para atender a demanda de leitores qualificados – essa é a fórmula.”, afirma Roberto Godoy.

O jornalista da Folha de São Paulo, Cristiano Cipriano Pombo, acredita que sempre haverá adeptos do papel e que o jornalista atual precisa estar preparado para trabalhar nos dois campos. Cristiano também aponta que a Folha de São Paulo produz o Projeto Gráfico, que apresenta produtos novos para o jornal com o intuito de atrair o leitor. Por exemplo, hoje a Folha está mais colorida e com letras maiores.

Um dos expoentes do grupo dos Moderados é o editor assistente de O Estado de São Paulo, Ivan Marsaglia, que argumenta que não é a internet que ameaça a existência do jornal impresso. Segundo ele, “... é preciso aguardar para ver”.

O grupo dos apocalípticos também não integrou muitos adeptos. Os poucos, 10 jornalistas, que acreditam no fim do jornal usaram como argumento o crescimento da internet, em especial, o fato de esta ser um ambiente relativamente mais livre e anárquico, além da praticidade e da capacidade de seleção que o leitor possui no mundo virtual, bem como a agilidade na veiculação das notícias.

O repórter fotográfico do jornal O Globo, Marcos Alves, acredita que além da tecnologia há a questão ecológica, pois para a produção do papel usado no jornal impresso há o uso de celulose e água.

Já o repórter do O Estado de São Paulo, Carlos Lordelo, pensa que a internet não será a única responsável pela extinção do jornal impresso, pois estão surgindo equipamentos cada vez mais sofisticados e a nova geração já nasce acostumada a ler telas de computador. Além disso, o meio digital permite a utilização de podcasts, vídeos e extensas galerias de imagens, algo impossível no jornal impresso. 

O repórter e colunista da Folha de São Paulo, Rodrigo Bueno, argumenta que o jornal em papel ocupa mais espaço físico, é relativamente caro, tem alcance e tamanhos limitados e não é um produto dos mais ecologicamente corretos. Podendo um dia acabar se continuar da maneira como é visto hoje.

* O conteúdo desse post e dos três anteriores foi apresentado no congresso nacional da Intercom, em Recife, no ano de 2011.



Por Priscila Pacheco